Ciência e Tecnologia

Parafraseando o poeta William Blake (1757-1827), que falava em ver o mundo em um grão de areia, dá para dizer que um trio de físicos brasileiros acaba de enxergar o Universo em um copo de leite. Para além dessa metáfora, pesquisadores da Unesp  e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) demonstraram ser possível estudar fenômenos ocorridos na superfície de um buraco negro por meio da observação de microvibrações em líquidos.

John-MattickO trabalho do cientista australiano John Mattick tem contribuído para derrubar paradigmas tradicionais da genética. Segundo o professor da Universidade de Queensland, em Brisbane, a programação genética dos organismos multicelulares foi essencialmente mal compreendida durante os últimos 50 anos. O equívoco, conta, residia no pressuposto de que a maior parte da informação era codificada em proteínas por meio do RNA, cujo papel seria reduzido à transcrição desses dados.

“A biologia é milenar. O homem já fazia biotecnologia quando começou a produzir vinho, por exemplo”, disse Carlos Bloch Jr., pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, durante o Workshop sobre Biodiversidade Marinha, realizado este mês na FAPESP. O pesquisador apresentou no evento técnicas de prospecção de moléculas, com destaque para a espectrometria de massa para análise e síntese de peptídeos. A pesquisa coordenada por ele pode servir de base na produção de alimentos que sejam mais bem assimilados, além de possibilitar o desenvolvimento de embalagens com propriedades anticongelantes e antimicrobianas.

Na hora de realizar tarefas complexas, há algo a mais de que o cérebro precisa: ritmo. Segundo estudo feito na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, ritmos corticais fazem com que grupos de neurônios espalhados por diversas regiões do cérebro sejam convocados para realizar uma atividade coordenada, como se fossem um regente conduzindo as várias seções de uma orquestra. O estudo será publicado esta semana no site e sairá em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Três estudos independentes publicados neste domingo (19/9), na revista Nature Genetics, destacam a descoberta de variantes genéticas associadas a cânceres de mama e de ovário. Sabe-se que tanto o câncer de mama como o de ovário têm fatores de risco em comum e os novos estudos identificaram que os dois tipos de tumores também compartilham uma mesma região genética de suscetibilidade ao desenvolvimento de tumores. Simon Gayther, da University College London, no Reino Unido, e colegas realizaram um estudo de associação genômica ampla para o câncer de ovário. Foram reunidos 10.283 casos dos quatro principais subtipos histológicos e os cientistas identificaram duas novas regiões genômicas associadas com a doença.

Um estudo publicado na edição desta sexta-feira (17/9) da revista Science, realizado na Amazônia, acaba de elucidar uma série de mecanismos de interação entre a floresta e o clima da região Amazônica, por meio da emissão de partículas de aerossóis – partículas sólidas ou líquidas suspensas na atmosfera. Coordenado por Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, o trabalho teve a participação de pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, do Instituto Max Planck da Alemanha, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e de outras instituições.

O Brasil tem conseguido controlar há mais de uma década a raiva urbana, que é transmitida principalmente pelo contato com cães. Mas, apesar de controlada, variantes do vírus continuam circulando por meio de animais silvestres, particularmente uma transmitida por morcegos que se alimentam de sangue (hematófagos). Pesquisadores brasileiros deram um passo importante no estudo do problema ao concluir o sequenciamento completo do genoma dessa variante mantida pela espécie Desmodus rotundus.

Geleiras ajudaram a esculpir algumas das paisagens de maior destaque no mundo, como os Andes ou o Himalaia. Era praticamente um consenso entre os geólogos que as geleiras de montanhas – que surgiram há cerca de 4 milhões de anos em resposta ao esfriamento na temperatura do planeta – fossem as responsáveis pela erosão que levou às formas e aos tamanhos atuais da maioria das montanhas. Mas um novo estudo, publicado na edição desta quinta-feira (16/9) da revista Nature, afirma que as geleiras, mais que provocar erosão em picos e ajudar a formar vales, estimularam o crescimento das montanhas.

O resultado do Inventário Estadual de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), nos setores de energia e indústria, foi apresentado nesta terça-feira (14), durante a 14ª Reunião do Fórum Baiano de Mudanças Climáticas, realizado no auditório da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), no Centro Administrativo da Bahia (CAB). O estudo sobre emissão de gases de efeito estufa na Bahia foi exposto pela consultora Tereza Mousinho, doutora em Energia. Segundo ela, a elaboração do inventário de GEE é um primeiro passo, uma condição necessária para (a elaboração) o planejamento e execução de ações para a redução de emissão de gases de efeito estufa.

Uma boa notícia para os pais que se preocupam com os filhos que passam longas horas envolvidos com videogames. Segundo estudo feito na Universidade de Rochester, no Reino Unido, jogos eletrônicos podem ajudar seus usuários a tomar decisões mais rapidamente. E, apesar de mais rápidas, as decisões não são menos exatas. Segundo pesquisa publicada nesta terça-feira (14/9) na revista Current Biology, os jogadores desenvolvem uma maior sensibilidade ao que está ocorrendo em sua volta e esse ganho não apenas faz com que melhorem a pontuação nos games, mas também pode resultar na melhoria de habilidades empregadas em diversas outras tarefas.

O conhecimento atual sobre a genética das populações marinhas ainda é repleto de lacunas e, nos últimos 20 anos, muitos estudos sobre a dispersão desses organismos no tempo e no espaço levaram a resultados cientificamente inexplicáveis. Mas esses mistérios podem estar com os dias contados, de acordo com Joseph Neigel, do Departamento de Biologia da Universidade da Louisiana em Lafayette, nos Estados Unidos. Segundo o cientista, pesquisas que tiveram resultados intrigantes no passado poderão ter seus dados reinterpretados, graças ao desenvolvimento de novos métodos e tecnologias que permitam identificar geneticamente as larvas e investigar sua distribuição temporal e espacial em comunidades planctônicas.

e-skinUm grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, conseguiu produzir um material eletrônico sensível à pressão a partir de nanofios semicondutores. A conquista abre caminho para o desenvolvimento de um novo tipo de pele artificial. “A ideia é fazer com que o material tenha funcionalidades semelhantes à da pele humana, o que implica incorporar a capacidade de tocar e de sentir objetos”, disse Ali Javey, professor de engenharia elétrica e de ciência da computação e líder do estudo, cujos resultados foram publicados neste domingo (12/9) na revista Nature Materials. O material, denominado de e-skin (“pele eletrônica”) por seus criadores, é o primeiro feito de semicondutores inorgânicos cristalinos.

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