De acordo com o coordenador do programa Escola da Terra na UFPA, Salomão Hage, o professor faz o curso no município onde reside, em regime de alternância, que compreende um período de frequência presencial no polo da universidade (tempo-escola) e outro de atividades realizadas em serviço (tempo-comunidade). Este, com acompanhamento de tutores. No modelo de formação da universidade estão previstos sete encontros do tempo-escola, que somam 140 horas, e mais 60 horas do tempo-comunidade.
Como os educadores trabalham com alunos dos anos iniciais do ensino fundamental, 20 mestres e doutores da UFPA ministram a formação em pedagogia e outros 20, nas áreas de ciências humanas, matemática, linguagem e ciências naturais. Tutores indicados pelas secretarias estadual e municipais de Educação acompanham os cursistas nas atividades nas escolas. É responsabilidade do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) a entrega de material didático e pedagógico, que compreende mapas, jogos e recursos para alfabetização, letramento e matemática.
Salomão Hage salienta que é grande o universo de docentes que trabalham em escolas multisseriadas e quilombolas no Pará. Ele estima em dez mil o número de educadores espalhados pelos 144 municípios e salienta que expressiva maioria precisa de formação continuada. O perfil desses docentes, segundo Hage, é de um profissional que tem pouco acesso a cursos de licenciatura, vive no campo ou na sede do município, mas passa a semana na comunidade rural ou quilombola onde leciona. “Muitas deles moram na própria escola”, diz.
Além desse isolamento, Hage admite que esse educador tem pouco apoio da rede municipal a que pertence. Fluxo de transporte deficiente, estradas precárias, escolas sem água, luz e saneamento, contratos temporários, são alguns problemas enfrentados. “Educadores das escolas no campo, multisseriadas e quilombolas, sempre são os últimos a receber formação”, afirma.
Estímulo — Hage avalia ainda que a convivência por cerca de dez meses com mestres e doutores em educação dos quadros da universidade valoriza professores submetidos a uma rotina de isolamento. “Eles passam a ser vistos pelos gestores municipais e podem contar conosco”, diz Hage, doutor pelo Instituto de Ciências da Educação da UFPA.
O curso de aperfeiçoamento da UFPA atende professores dos municípios de Acará, Augusto Corrêa, Bragança, Breves (na Ilha de Marajó), Cametá, Mocajuba, Mojuí dos Campos, Santarém e Tracuateua.
A Escola da Terra é um programa do Ministério da Educação para a formação continuada de professores em serviço em escolas do campo. Todas as atividades formativas são realizadas por universidades públicas, mediante adesão. Em 2013, o MEC selecionou sete universidades federais para participar de um projeto-piloto da Escola da Terra, em quatro das cinco regiões do país, com 7,5 mil vagas: universidades federais do Amazonas (Ufam), da Bahia (UFBA), do Pará (UFPA), de Pernambuco (UFPE), do Rio Grande do Sul (UFRGS), de Minas Gerais (UFMG) e do Maranhão (UFMA).
MEC Assessoria de Imprensa