Mestre em Ciências Sociais, especialista em Processos Estratégicos e Novas Tecnologias e autor de diversos trabalhos que discutem as mudanças nas formas de vivenciar o futebol, Ricardo Bedendo definiu a tarde de terça-feira, 8, como catastrófica. “O time estava apático em campo e por dez minutos sofreu um ‘apagão’. Ficou sem reação contra a Alemanha e assistiu os adversários jogarem, sofrendo gols com um intervalo de tempo muito pequeno”, relembrou o professor, que também acredita não haver culpados, nem entre os jogadores e nem na comissão técnica, pois são inúmeros fatores que levaram ao fracasso.
Para Bedendo, a questão é um pouco mais profunda do que parece, sendo uma conseqüência de um trabalho de muito tempo. “Desde a Copa das Confederações já ficava evidente que nossa seleção era limitada. Mas os torcedores ainda acreditavam que estes pontos poderiam ser superados por outros fatores, como o fato de jogar diante da própria torcida e as individualidades de alguns jogadores. E vimos que isso não seria possível. Agora temos que adotar o hábito da reflexão, na vitória e na derrota. É a ‘pedagogia do esporte’, aprendemos como a bola pode ser a ‘bela’ que nos coloca em contato com a ‘fera’”.
Estratégias psicológicas equivocadas
Especialista em psicologia do esporte, Renato Miranda afirmou que as estratégias adotadas não foram as mais corretas. “A seleção foi acometida de um desequilíbrio emocional durante toda a Copa, o que ficou evidente no choro precoce dos últimos jogos. E, em parte, isso cabe ao trabalho psicológico que deve acompanhar a equipe. As ideias repetidas da obrigação de ser campeão jogando no Brasil acabaram pesando e refletindo em campo. No mais, esse ‘apagão’ foi isso, junção da falta de capacidade e de experiência com o despreparo emocional”.
Renato apontou também que o fator psicológico é tão fundamental em uma equipe quanto o técnico, tático e físico, mas não é valorizado. “A formação psicológica não é valorizada no esporte, ficando muitas vezes nas mãos de maus profissionais, o que reverbera nos resultados. Assim, a equipe não estava pronta para lidar com a pressão e sucumbiu ao bom futebol da seleção alemã”.
O lado positivo da derrota
Apesar do duro golpe que calou e constrangeu os torcedores brasileiros, os professores se mostraram otimistas, conseguindo tirar um saldo positivo da partida.
Renato, abordando a questão psicológica, acredita ser necessária uma avaliação profunda dos pontos negativos. Sendo esta avaliação bem feita, é possível usá-la como combustível para o crescimento. Caso contrário, a derrota só alimentará ainda mais a frustração, e irá nos assombrar na próxima Copa. “O principal é não cultivar a soberba no futebol, que indevidamente trazemos conosco”.
O professor Ricardo Bedendo também se mostrou otimista nesse ponto. “O povo brasileiro não merecia essa derrota, como bem declarou o atacante da Alemanha, Lukas Podolski. Mas apesar dos pesares não devemos esquecer que o saldo foi muito positivo. Realizamos uma belíssima Copa e chegamos até uma semi-final, o que não acontecia desde 2002. Ganhamos muito mais do que essa derrota. Fica a lição que nem sempre somos os melhores, mas não somos menores que ninguém”.
Será conhecida ainda nesta quarta-feira, 9, o adversário da Alemanha na final do mundial, que acontece no próximo domingo, dia 13. Os jogos serão transmitidos pela Rádio Facom, com uma equipe formada por alunos de Comunicação coordenados pelo professor Márcio Guerra. A rádio pode ser sintonizada no 103,9 FM ou pelo site www.ufjf.br/radio.