
A pesquisa que levou a identificação dessa nova espécie foi realizada com base nos fósseis encontrados no ano de 1953, durante a construção de uma rodovia, na cidade de Presidente Prudente, São Paulo, por Llewellyn Ivor Price (1905-1980), considerado o pai da Paleontologia no Brasil. À ocasião, os ossos foram levados para o Museu de Ciências da Terra, que atualmente é administrado pelo Serviço Geológico Brasileiro (CPRM). Segundo Kellner, apesar da crise atual que impede as pesquisas avançarem por falta de recursos financeiros, grande parte desses estudos foram financiados com ajuda de subsídios concedidos pela FAPERJ. “Foi por falta de dinheiro e recursos tecnológicos que esse material ficou tanto tempo para ser analisado”, justifica o paleontólogo.
Para se chegar à conclusão do tamanho do gigante notável, muito trabalho foi realizado, com incessantes análises, que contaram com a colaboração de pesquisadores do Museu de Ciências da Terra, do Museu Nacional, da Petrobras e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). De acordo com Kamila Bandeira, como só havia ossos da coluna vertebral, um dos recursos foi estruturar uma montagem do Austroposeidon magnificus em comparação a outras espécies. “Se você comparar o tamanho da cavidade onde se encaixa a espinha dessa nova espécie com a do Maxakalisaurus topai, por exemplo, a diferença é gritante. O tamanho da cavidade onde a espinha do Austroposeidon magnificus se encaixava na ossada já nos dava claros sinais de sua magnitude”, diz Kamila.

O Austroposeidon magnificus representa a 23ª espécie achada no Brasil e, segundo Kellner, pode ser equiparada aos maiores exemplares de titanossauros encontrados em terras portenhas. “Essa descoberta, além de aumentar a diversidade dos dinossauros brasileiros, vem para suprir um questionamento que eu tinha há tempos: do porquê não haver no Brasil um exemplar de dinossauro tão grande quanto os encontrados na Argentina, nossa vizinha, que beiram os 36 metros de comprimento. Agora, com a chegada do Austroposeidon magnificus, fica mais evidente que é possível achar fósseis de espécies ainda maiores aqui no País.”
Assessoria de Comunicação FAPERJ